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Carnaval: O bloco Mudança do Garcia homenageia o sambista Riachão que vai animar os foliões ao lado de Juliana Ribeiro e de Fred Menendez, nesta segunda-feira

O bloco Mudança do Garcia homenageia o sambista Riachão que vai animar os foliões ao lado de Juliana Ribeiro e de Fred Menendez, nesta segunda-feira. (Foto: Reprodução Facebook do bloco)

O bloco mais irreverente do Carnaval da Bahia, o Mudança do Garcia é também uma das mais tradicionais manifestações culturais da festa em Salvador. Este ano o “Mudança” vai homenagear um dos mais importantes nomes do samba na Bahia, o sambista Riachão. Aos 92 anos, o cantor e compositor também vai puxar o bloco Mudança do Garcia, nesta segunda-feira (03), ao lado da cantora Juliana Ribeiro e do Rixô Elétrico de Fred Menendez.

O sambista Riachão que é autor de “Cada Macaco no seu Galho”, uma das suas mais famosas músicas, já teve músicas interpretadas por Caetano Veloso e Gilberto Gil. Nasceu no bairro do Garcia, em 1921. Aléms da pinta de malandro ele tem como marca a toalha que leva em volta do pescoço. (Foto: Reprodução Google)

O sambista Riachão já teve músicas interpretadas por Caetano Veloso e Gilberto Gil. Nasceu no bairro do Garcia, em 1921. Aléms da pinta de malandro ele tem como marca a toalha que leva em volta do pescoço. (Foto: Reprodução Google)

Como de costume, o “Mudança” sai sem cordas e vai fazer o percurso que realiza há 80 anos, indo do fim de linha do bairro do Garcia até o Campo Grande, o Circuito Osmar. E é certo que vai invadir a avenida no carnaval com bastante irreverência, protesto e cultura. Esse ano o bloco sai às 16h, de acordo com a programação. A concentração começa a partir das 11hs da manhã.

Também em homenagem ao sambista Riachão, este ano o circuito do “Mudança” passa a ter o seu nome. Um justo reconhecimento do Conselho do Carnaval ao sambista que nasceu no bairro do Garcia e desde os nove anos já cantava em serenatas ou nas batucadas de suas ruas.

O sambista Riachão que é autor de “Cada Macaco no seu Galho”, uma das suas mais famosas músicas, também compôs “Retrato da Bahia” e “Vá Morar com o Diabo” que foi gravada pela cantora Cássia Eller em 2001. Já teve músicas interpretadas por cantores como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Nasceu no bairro do Garcia, em 1921.

Jamil Souza
 
 

Carnaval de Salvador: Microtrio Rixô Elétrico vai animar o folião pipoca nesta segunda-feira na Barra

Microtrio Rixô Elétrico vai animar o folião pipoca de Salvador nesta segunda-feira no Circuito Dodô, na Barra. (Foto: Secult)

A animação do folião pipoca nesta segunda-feira (03) de Carnaval em Salvador vai ficar por conta do Microtrio Rixô Elétrico. O público sem cordas vai contar com mais esta programação gratuita, onde a guitarra baiana é o destaque da noite.

Microtrio Rixô Elétrico vai animar o folião pipoca de Salvador nesta segunda-feira no Circuito Dodô, na Barra. (Foto: Maiana Belo / G1 Bahia)

Microtrio Rixô Elétrico vai animar o folião pipoca de Salvador nesta segunda-feira no Circuito Dodô, na Barra. (Foto: Maiana Belo / G1 Bahia)

A apresentação do Microtrio Rixô Elétrico esta marcado para às 20h, dessa vez, no Circuito Dodô, na Barra. Movido por pedais de bicicleta, o Rixô foi idealizado há quatro anos pelo compositor, guitarrista e bandolinista baiano Fred Menendez, que promete um repertório marcado por muito frevo, axé e lambada, que será executado junto aos músicos Shafiek Patriarca (baterista), Eduardo Brandão (violão) Fábio Rocha (baixista) e Eleilson Amorim (tecladista).

O Rixô Elétrico nasceu com o mesmo objetivo que a Fobica da década de 1950: levar, de graça, alegria e cultura ao público. Discípulo de Osmar Macedo, Fred Menendez iniciou seu trabalho com o pau elétrico, como primeiro foi chamada a guitarra baiana, aos 13 anos de idade. Em  três décadas de carreira, manteve-se fiel ao instrumento, mantendo sua timbragem, tradição e características sonoras. Além de compor temas específicos para tocar com a guitarra, também a utiliza para adaptar grandes sucessos.

Na terça-feira (04), último dia de carnaval oficial em Salvador, tem mais Microtrio para o folião pipoca. Serão dois microtrios na Barra: Tuk Tuk Sonoro e o MicroTrio 2014, a partir das 14h. No mesmo dia, às 16h, é a vez do microtrio 100 Anos de Dodô desfilar no circuito Batatinha; e às 17h, no Campo Grande, o Microtrio Peu Meurray & Coletivo Gente Boa se Atrai. Pra encerrar, o Microtrio Rixô Elétrico anima os foliões em Periperi, às 20h.

Jamil Souza
 

Vídeo conta a História do Carnaval: Dos Entrudos do século XVI, passando pelas marchinhas de Chiquinha Gonzaga até o Carnaval de hoje

O vídeo Ô Abre Alas – A História do Carnaval é um especial que foi produzido pela Agência Brasil e conta um pouco dessa história no Brasil. (Foto: Reprodução)

Um breve relato é apresentado neste vídeo que sintetiza a história do Carnaval no Brasil. Da chegada dos portugueses e com os Entrudos lá no século XVI, passando mistura resultante da influência indígena e africana, o surgimento do Samba no século XIX e das famosas Marchinhas de carnaval de Chiquinha Gonzaga até o Carnaval de hoje com os desfiles da Escolas de Samba do Rio de Janeiro, os blocos do Frevo e o Maracatu de Pernambuco e os Trios Elétricos da Bahia e sua industria musical que se reinventa a cada ano.

Confira agora o vídeo Ô Abre Alas – A História do Carnaval, um especial que foi produzido pela Agência Brasil e conta um pouco dessa história no Brasil.

Jamil Souza
 

Carnaval: Antropólogos explicam que o hábito de homens se fantasiarem de mulher é um ritual de inversão

Roberto DaMatta avaliou que quando os homens brasileiros se vestem de mulheres, isso revela "o poder que as mulheres têm na vida rotineira brasileira, que não é, obviamente, discutido e reconhecido nem mesmo pelas mulheres”. (Foto: Reprodução)

O carnaval de 2014 expõe novamente um hábito bastante comum entre os homens, durante bailes e desfiles que festejam a data: usar fantasias de mulher. Na avaliação da socióloga Silvia Ramos, coordenadora  do Centro de Estudo de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, o costume poderia surpreender nos anos de 1940, no Rio de Janeiro, mas atualmente “já se tornou quase um lugar comum”.

Ela explicou hoje (2) à Agência Brasil que a preferência dos rapazes por usar roupas femininas no carnaval revela uma vontade de transgredir. “Esse atravessamento de gênero, justamente de homens fortes vestidos com roupas de mulher, com salto alto, se tornou uma marca do carnaval, que acentua, na cultura brasileira, esse momento de transgredir com uma série de coisas”.

Roberto DaMatta avaliou que quando os homens brasileiros se vestem de mulheres, isso revela "o poder que as mulheres têm na vida rotineira brasileira, que não é, obviamente, discutido e reconhecido nem mesmo pelas mulheres”. (Foto: Reprodução)

Roberto DaMatta avaliou que quando os homens brasileiros se vestem de mulheres, isso revela “o poder que as mulheres têm na vida rotineira brasileira, que não é, obviamente, discutido e reconhecido nem mesmo pelas mulheres”. (Foto: Reprodução)

Segundo a socióloga, a transgressão de gênero é a mais simples de ser produzida com uma fantasia. “Por outro lado, é a mais surpreendente. Virou uma marca, realmente, do carnaval carioca”.

O antropólogo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto DaMatta, disse àAgência Brasil que o costume de homens se fantasiarem de mulher sempre existiu. “É permanente em todos os carnavais. E digo mais, até em carnavais na Rússia de Catarina II, em 1700”.

Para DaMatta, como para os demais antropólogos, o ritual carnavalesco ocorre  na maioria das sociedades do mundo, “senão em todas”. Trata-se do ritual da inversão. “É o ritual da licença, onde os opostos da sociedade rotineiros se invertem. As mulheres podem se comportar como homens, caso dos destaques das escolas de samba. São as supermulheres que os homens têm medo de chegar perto. Elas são castradoras de tão bonitas e agressivamente eróticas”. Essas mulheres se transformam nos ‘dom Juan’ (conquistador) de outrora, comparou. DaMatta argumenta que nos próprios blocos de rua, as mulheres apresentam agora um comportamento sexual mais agressivo.

Em relação aos homens, de forma específica, indicou que é muito comum, sobretudo em cidades de menor porte, no interior brasileiro, a juventude de classe média e alta se vestir com as roupas de suas mães e irmãs e sairem às ruas, “fazendo sátira de comportamento feminino, porque é carnaval”. Outra interpretação que pode ser feita é que esse costume poderia traduzir uma vontade oculta de esses homens serem mulheres, admitiu.

De modo geral, DaMatta avaliou que quando os homens brasileiros se vestem de mulheres, isso revela “o poder que as mulheres têm na vida rotineira brasileira, que não é, obviamente, discutido e reconhecido nem mesmo pelas mulheres”.

A antropóloga Yvonne Maggie, também da UFRJ, concorda integralmente com Roberto DaMatta. Na sua opinião, a inversão de comportamento é uma característica estrutural do carnaval. “É uma estrutura de festa na qual as pessoas invertem sua posição no cotidiano”. Não se trata de uma forma de transgressão, observou, porque, “no dia a dia, na vida comum, os homens são machistas, homofóbicos. E só durante os dias de carnaval, as pessoas se permitem inverter a sua posição. É um ritual de inversão”, reiterou.

O que chama a atenção, acrescentou, é que ao contrário dos anos de 1940, quando os blocos eram mais restritos, hoje são milhares de pessoas pelas ruas durante o carnaval. Destacou que não se deve interpretar o uso de fantasias femininas por homens como uma postura rebelde em relação à visão de gênero. “É o reforço do cotidiano, porque você só pode fazer isso no carnaval. Ou seja, durante 362 dias da vida, as pessoas têm que agir como homem e como mulher. E no carnaval, elas são liberadas”, disse.

Agência Brasil
 

Carnaval 2014: Ilê Aiyê escolhe a Deusa do Ébano para o carnaval dos seus 40 anos

Carnaval 2014: A empresária Cynthia Paixão é eleita a Deusa do Ébano do Ilê Aiyê. (Foto: Márcia Luz/iBahia)

Eleita numa grande festa realizada na Senzala do Barro Preto, no bairro Curuzu em Salvador, a empresária Cynthia Paixão de Jesus tem 28 anos e é a Deusa do Ébano 2014 do bloco afro Ilê Aiyê.  A eleição aconteceu na noite deste sábado (8), Cyntia foi escolhida entre outras 14 finalistas num concurso que contou com a inscrição de 60 belas mulheres negras, todas desejosas em tornar-se a musa do Ilê no ano em que o bloco comemora seus 40 anos.

Carnaval 2014: A empresária Cynthia Paixão é eleita a Deusa do Ébano do Ilê Aiyê. (Foto: Márcia Luz/iBahia)

Carnaval 2014: Cynthia Paixão é eleita a Deusa do Ébano do Ilê Aiyê. (Foto: Márcia Luz/iBahia)

A grande e bela festa do Ilê Aiyê que foi transmitida ao vivo pela TVE, contou com a participação de vários convidados especiais. Houve performances do grupo de teatro Oludum e do ator global Lázaro Ramos que, além de participações em vários momentos da festa, foi responsável por entregar o troféu a Cynthia. A vencedora se destacou não só pela beleza, mas pelo desempenho com a coreografia e o figurino, além de demonstrar atitude e elegância. Como rainha, ela irá desfilar com o Ilê Aiyê durante o Carnaval, acompanhar o grupo em todas as apresentações ao longo do ano, inclusive, em viagens internacionais.

Além do troféu, Cynthia Paixão levou mais R$ 3.600 em dinheiro. Em segundo lugar ficou Vânia Silva Oliveira e em terceiro ficou Jedjane Mirtes de Souza. As duas receberam troféus e foram premiadas com R$ 3 mil e R$ 2.500 respectivamente, além receber a fantasia para sair com o Ilê no Carnaval este ano.

O carnaval deste ano é especial para o Ilê, criado em 1 de novembro de 1974 “o mais belo dos belos” é o mais antigo bloco afro do carnaval da cidade de Salvador. Também, foi o primeiro bloco afro do Brasil e hoje constitui um grupo cultural de luta pela valorização e inclusão da população afrodescendente, inspirando a criação de muitos outros grupos culturais no Brasil e no mundo.

Todo o ano,  o Ilê Aiyê repete um ritual antes de iniciar o seu carnaval. Na ladeira do Curuzu do bairro da Liberdade, o bloco reúne os associados, a comunidade e visitantes dos quatro cantos do mundo para “abrir os caminhos” pedindo permissão aos donos da rua para sair e fazendo pedidos de paz e felicidade aos orixás.

Jamil Souza